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ULusófona promove encontro com Mikhail Karikis sobre Cinema, Som e Comunidade

O artista apresentou filmes e discutiu o papel do som, da escuta e da colaboração na criação de comunidades na 3.º sessão do Great Artists on Campus

O Batalha Centro de Cinema abriu as portas a Mikhail Karikis no passado dia 13 de março, no âmbito do ciclo de conferências Great Artists on Campus #1 , para uma sessão que combinou projeção de filmes e conversa com o público.

Durante a sessão foram exibidos vários trabalhos do artista greco-britânico desenvolvidos em diferentes contextos geográficos, incluindo projetos realizados em Portugal, Itália, Reino Unido e Japão. As obras refletem uma prática artística fortemente marcada pela colaboração com comunidades específicas entre jovens, trabalhadores ou pessoas neurodivergentes que participam ativamente no processo criativo e na construção das narrativas apresentadas nos filmes. “The works are not about me.”, afirma.

Após o screening, seguiu-se uma conversa conduzida por João Sousa Cardoso, Diretor da Licenciatura em Comunicação Audiovisual e Multimédia, que propôs três eixos para explorar o trabalho do artista: o espaço, a respiração e a música. A partir destes pontos, Karikis explicou como a sua prática se desenvolve na interseção entre cinema, arquitetura sonora e investigação social.

Os filmes apresentados partem frequentemente de territórios com forte carga histórica ou industrial, transformando a paisagem em elemento central da narrativa. Para o artista, os lugares não funcionam apenas como cenário, mas como estruturas vivas que revelam relações entre memória, corpo e história coletiva.

Outro aspeto central da conversa foi o papel do som na sua prática artística. Mikhail Karikis destacou o potencial político da criação sonora coletiva, sublinhando a forma como a produção de voz e de respiração em grupo pode gerar experiências transformadoras e reforçar dinâmicas de comunidade.

Durante a masterclass, o artista destacou ainda a importância da escuta enquanto prática ética e artística, defendendo que a arte pode criar novas formas de relação entre diferentes comunidades, culturas e formas de conhecimento. Para Mikhail Karikis esse processo implica aprender a reconhecer e compreender as linguagens do outro, sejam elas humanas, culturais ou ambientais.

A sessão terminou com uma reflexão sobre o papel da arte na imaginação de futuros possíveis.

Mais do que apenas criticar estruturas existentes, Karikis sublinhou que o seu trabalho procura propor novas formas de pensar a comunidade e o mundo coletivo, defendendo a criação artística como espaço para imaginar outras possibilidades de vida em comum.

Texto: Gabriel Motta | Cobertura: Lara Sousa e Paulo Renato | Edição: Gabriel Motta
Publicação 01 outubro 2025
Edição 01 abril 2026